SUPERFICIES

OS DESERTOS DE UTAH E ARIZONA

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SUPERFÍCIES - Viajar pelos desertos do Arizona E Utah é como cruzar formas de outro planeta. A região é surpreendente e mostra a TERRA como fonte riquíssima de imagens. Apesar de estar dentro um perímetro relativamente limitado, a diversidade de cores e texturas é fora do comum. SUPERFICIES foi realizado entre 2018 e 2020, durante período de inverno.

A região dos desertos do ARIZONA e UTAH é surpreendente e como o planeta TERRA, uma fonte riquíssima de imagens. Para quem vem de Salt Lake City em direção ao sul (rodovia 191), uma boa entrada é por MONUMENT VALLEY, região famosa por ter sido cenário da maioria dos filmes “western”, muito populares na década de sessenta. Da região extremamente plana brotam enormes estruturas rochosas que são peças testemunhas das eras passadas. Parece ao mesmo tempo o começo ou o fim dos tempos.

Dirigindo rumo ao oeste em direção à cidade de PAGE pela rodovia 160, não permaneça muito tempo no Navajo National Monument porque alguns locais imperdíveis próximos devem ser visitados sem pressa. A primeira parada é CANYON X, um conjunto de rochas esculpidos pela água que oferece labirintos inacreditáveis. Parece um outro planeta. Se o tempo for curto, uma versão melhorada mas muito mais frequentada é  ANTELOPE CANYONS (Lower e Upper). Qual dos dois deve-se escolher? Os dois!! Mas se a escolha for inevitável vá para o Upper. A exploração do local é, no entanto, absurdamente cheia de visitantes. Pode-se agendar um “photographer tour”, com restrição de pessoas, mas o ingresso é bem mais caro.

Page é uma pequena cidade sem maiores atrativos mas está situada no LAKE POWEL cuja navegação é espetacular. Para bem explorá-lo é preciso alugar um House Boat e navegar por no mínimo três dias, caso contrário não há como alcançar pontos com REFLECTION CANYON ou WILLOW CREEK… vale a pena. Na falta de tempo, pode-se visitar RAINBOW BRIDGE pegando o Tour Boat que parte da Marina de WAHWEAP. Na ida de Page para a Marina (20 minutos no máximo) e interessante uma parada na GLEN CANYON DAM Bridge, uma enorme represa com uma vista única, que mescla a mão do homem com a natureza, oferecendo um contraste muito peculiar.

Na vizinhança dois destaques merecem ser mencionados: o primeiro é a caminhada para o WAHWEAP HOODOS, uma série de rochas gigantes que se equilibram em grande altura em bases finíssimas desafiando a gravidade. Vale mais pelo longo passeio (6 horas ao todo caminhando) por regiões inóspitas do que pelos monumentos.  Não deixe de passar pelo BLM Visitor Center e fotografar mapas e referências visuais porque é facílimo se perder no deserto. Existem vários BLM Centers espalhados pelo Arizona, e o mais próximo de Page fica no caminho em um vilarejo chamado Big Water. Para qualquer jornada só se aventure se estiver a bordo de um 4X4. 

Ao voltar de Hoodos, na mesma redondeza, dirija-se para ALSTROM POINT. O caminho é surreal com rochas caídas entre montanhas, espalhadas como em uma paisagem lunar. Alstrom oferece um belíssimo pôr do sol, de onde se vê o Lake Powel de cima, sob um ponto de vista privilegiado. Na saída de Page rumo ao Grand Canyon, outro labirinto merece ser visitado… WHITE HOLE, conhecido pelas suas rochas rosas que se misturam ao capim seco. No fim do trajeto existe uma carcaça de um carro abandonado, caído em um desfiladeiro, provavelmente arrastado pelas águas. É digno de uma paisagem de MAD MAX. 

Na rota rumo a oeste, HORSESHOE BEND Observation Area oferece uma visão surreal de enormes rochas incrustadas no rio, de dimensões imensas… mas se prepare. A visita é ridiculamente cheia de gente, parecendo um parque de diversões, mas vale a pena. A partir desse ponto começa o ponto alto para quem realmente gosta de aventura … ruma-se para a região de Paria Canyon, no Vermillion Cliffs Wilderness Area em pleno território Navajo, onde o deserto é realmente selvagem e único. A parte mais interessante dessa região é chamada de COYOTE BUTTES, onde está THE WAVE e WHITE POCKET, duas experiências indescritíveis que retomaremos mais abaixo.

Na rota para Coyote Buttes, opte pela rodovia 89A (alternativa) porque a natureza é muito mais selvagem. No caminho é interessante uma parada na NAVAJO BRIDGE para observar condores gigantescos que moram embaixo da ponte. Saindo da ponte existe uma entrada a direita que leva a LEE’S FERRY, praticamente um resort para ciclistas e hikers mas a paisagem bem cuidada é belíssima e um último ponto de civilização antes do mergulho em terras mais inóspitas. Seguindo pela rodovia 89A, é bastante conhecida uma pequena casa de pedra na beira da estrada onde Navajos vendem bijuterias que se chama CLIFF DWEELERS. Estive lá duas vezes, com um espaço de dois anos, e absolutamente nada mudou, tampouco os navajos que atendem no local. Na preparação para THE WAVE (só permitida a entrada com licença, duríssima de conseguir) e WHITE POCKET,  deve-se pernoitar em KANAB, uma minúscula cidade com uma grande surpresa: restaurantes de altíssima qualidade. Até o momento não ficou evidente porque chefs franceses escolheram o local para morar. Kanab apesar de muito pequena, é um entroncamento para viajantes e hikers à procura de aventura, portanto é fácil comprar qualquer acessório para caminhadas, como sapatos especializados etc…

WHITE POCKET tem um acesso difícil que se faz por carro integralmente, via a House Rock Valley Road. A parte final merece atenção redobrada… é facílimo atolar na areia do deserto, mas uma vez vencido o trajeto, a entrada no vale é um choque. É enorme e parece outro planeta. Na esquerda rochas em gomos brancos não se parecem com nada que qualquer humano normal conheça. Na direita as rochas são totalmente avermelhadas como se estivéssemos em Marte. 

Se tudo indica que nada mais espetacular poderia surgir, espere até conhecer THE WAVE, acessível pela mesma House Rock Valley Road. Estaciona-se o carro em um parking bem organizado mas sem rangers para qualquer explicação, preenche-se voluntariamente uma ficha de registro, (necessária para se for preciso resgate para pessoas perdidas) e começa-se a jornada. Para chegar lá é uma caminhada de cerca de uma hora e impossível chegar sem um mapa acurado, que só as pessoas com passes tem acesso (não tente ir sem as referências! A chance de se perder é 100%). Uma informação importante é que não há sinal de GPS na região, portanto desista de se orientar por satélites em seu celular. 

THE WAVE é um conjunto bem menor que WHITE POCKET mas é um soco visual inesperado logo na entrada. O acesso é de repente na virada de um areal. É indescritível. 
Refeito do impacto de THE WAVE, na mesma área, uma outra caminhada por um local chamado BUCKSKIN GULCH TRAILHEAD leva a uma encosta conhecida por WIRE PASS TRAILHEAD não menos surpreendente… são kilómetros  entre enormes paredes com uma largura de não mais que dois metros, por um corredor monumental e interminável. Não é apropriado para quem tem claustrofobia.

A oeste de Kanab, mais ao norte, a paisagem se modifica inteiramente, quando chega-se a ZION NATIONAL PARK que impressiona pelas montanhas rochosas vestidas na base por uma vegetação de bosque. A região é bem mais úmida e pode ser observada do alto de uma trilha chamada ANGELS LANDING, mas não é o único ponto a ser explorado. Na saída de Zion, a poucos minutos, uma cidade fantasma (GRAFTON), fundada em 1859 pelos mórmons, foi abandonada anos. A sorte fez com que fosse utilizada como cenário para filmes como Butch Cassidy and Sundance Kid. Desde então foi conservada como se o tempo não passasse.

Rumo ao norte seguimos até BRYCE NATIONAL PARK, um vale com formações imensas e insanas de estalactites ao ar livre, totalmente alaranjadas. Vale a pena percorrer a pé o NAVAJO LOOP que passa pelo meio das formações.
A diversidade das paisagens é simplesmente incompreensível e impressionante.

Rumando para o Sul, seguimos para o GRAND CANYON (dividido em North Rim - bem mais selvagem e só acessível no verão - e South Rim, belíssimo mas um pouco estruturado demais… bom para o turismo mas menos interessante para os aventureiros). Na área do South Rim vale a pena conferir o BRIGHT ANGEL TRAILHEAD que desce até a base do vale e impossível de se completar em um só dia, mesmo se percorrido a bordo de mulas.

Entre o North Rim e o South Rim, quem tiver tempo e paciência pode se desviar até HAVASU FALLS, encontrará um conjunto de cachoeiras de água azul cristalina, cujo acesso demora ao todo cerca de dois dias de caminhada, e o pernoite é em uma pequena vila chamada SUPAI. Da mesma forma que em THE WAVE, é preciso obter uma permissão de acesso previamente.

De volta à estrada, uma boa opção é rumar para SEDONA, passando no caminho por SYCAMORE FALLS onde vale a pena pernoitar acampado à beira dos lagos em volta. SEDONA conhecida por sua vocação espiritual é cercada por montanhas monumentais como a CATHEDRAL ROCK, todas acessíveis por trilhas. Subir por elas é quase uma obrigação.

O fim da jornada provavelmente será em SCOTTSDALE quase um bairro anexo de Phoenix a capital do Arizona, de onde o aeroporto conecta a região a qualquer parte do mundo. 

É um belo planeta. Precisamos cuidar melhor dele.